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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 | By: Doracino Naves

Coração de boi

Bem cedo Quintino já estava debaixo do pé de manga coração-de-boi. Na sua mão um canivete de folha larga afiada na pedra de amolar tirada do córrego Botafogo. Pensava: “hoje, passarinho nenhum vai meter o bico na minha manga”. Estava vistosa. Solitária, no galho mais alto, se tingiu de dourado. Manga coração-de-boi que se preza tem cor amarela, vermelha ou laranja. E sem fibras para ser chupada até o caroço. Deu água na boca de Quirino. Só de pensar na doçura da manga ardeu-lhe a caxumba. Viu o alto da mangueira.

Uma copa enorme projetava sombras  no quintal vizinho separado por  muros de taipa. Embaixo, as folhas formavam um tapete folhado e úmido. Pendurado no pescoço um estilingue feito de borracha de pneus de bicicleta, couro de botina velha e forquilha de amora escolhida a dedo. Levava no bolso bolinhas de vidro para melhor precisão. Despescoçou o estilingue, pôs uma bolinha no couro da atiradeira.

Forquilha para cima, borracha esticada, arremesso calculado. Pontaria certeira. Bem no talo. A manga rodou no ar e caiu levando tudo que estava embaixo. O som de manga derrubando folhas era peculiar, simbólico da vida de moleque. A  bola perdida caiu, como a folha-seca do meia Didi, justo no telhado da penitenciária de Goiânia, no Bairro Popular. Sem danos. Os ruídos da manga despencando das grimpas, o quicar da bolinha nas telhas, soavam como música aos ouvidos de Quintino.

Veio com a família para Goiânia num caminhão pau-de-arara fretado na Bahia. Morava na Rua 79, aonde a maioria viera do nordeste. Seu pai, Raimundo, pedreiro em Correntina, trabalhava na construção do Centro Administrativo. Brigou no serviço por causa de marmita. No dia seguinte o outro foi encontrado morto com um furo no peito. Como era o principal acusado, foi preso incomunicável; a família desamparada.

Sua mãe, lavadeira. Tinha três irmãos mais novos. Mas, faltava o de comer. Ela saía à noite e, às vezes, chegava tarde. Bom que no outro dia havia dinheiro para o pão. Assim, esperavam o pai sair da cadeia. Não conheço nenhuma história de manga caída que demorasse tanto a chegar. 

A manga, em queda livre, bateu numa caixa de marimbondo-cavalo. Um deles, num vôo rasante, meteu o ferrão na sua orelha. Ardeu igual às tapas do Tião, moleque mais velho da Rua 68. Ouviu um baque fofo de manga caída sobre as folhas. E um grande furo de passarinho na fruta que amadureceu com o seu olhar. Só podia ser coisa de bem-te-vi. Num galho próximo um bem-te-vi parecia zombar do seu destino. O estilingue já estava pronto para atirar. 

Mirou firme que era bom de tiro. A bolinha bateu no peito amarelo que caiu ao lado da manga coração-de-boi. Suas perninhas, viradas para o céu, tremeram de morte.

O menino, a manga, o chão, o pássaro. Um soluço sacode os ombros magros, sem camisa, de Quintino.          

Doracino Naves é jornalista, diretor e apresentador do programa Raízes Jornalismo Cultural, na Fonte TV (www.raizestv.net)

Alma laranja

Saio de casa depois do jogo em que o Brasil perdeu para a Holanda. A desorganização do time brasileiro dá um pouco de humildade em nossos exageros no futebol. Bem que o futebol poderia ser mais simples dentro e fora do campo. Melhor seria, simplesmente, um drible, uma ginga, um gol. Como nos tempos de pelada nos campos de terra da meninice onde o final é alegre. Mas, e o resultado, não importa? Mais importante é o prazer da vida. Ao contrário, em época de futebol de resultados, o sofrimento dos torcedores beira ao masoquismo.

Por que ligar para os amigos para ouvir amargura nessa tarde infeliz, dizer coisas vãs? Ainda mais, impacientes, ouvir a opinião dos comentaristas se vimos o jogo pela televisão?  Há um prazer mórbido nisso tudo. Melhor seria ver mérito no jogo da Holanda; não nos culpar pelo fracasso na Copa. Procuro ficar sereno na quietude dessa tarde quando a seleção brasileira volta pra casa depois de quase um mês na África do Sul. Os jogadores, meninos ricos e famosos, deveriam reviver o tempo das peladas aonde o placar do jogo é um mero detalhe de sonhos. Valia zoar o outro sem conflitos; hoje uma jogada de gol pode valer milhões de euros. Daí, talvez, a maior pressão sobre esses meninos da bola. Perder, às vezes, pode nos ajudar a vencer certas barreiras do coração.

Ando pelas ruas quase desertas de Goiânia. Sinto uma imponderável mão acalmando as minhas emoções. Entrego-me, resignado. Uma brisa suave mexe nos meus cabelos. Fecho os olhos aliviando os meus pensamentos. O jeito é usar o controle da mente para calar a pilha de palavras dos comentaristas que ganham para dizer coisas e mais coisas; como se soubessem tudo. Expulso o mau pensamento para purificar a mente.

Sonho com Deus; ou será que eu, enquanto ser humano, sou um sonho D’ele? Sonho com a música guardada nos meus discos, as histórias sonhadas nas páginas dos meus livros. Sonho com um mundo de alma grande, com o futebol alegre que sublime a arte da alegria de jogar. Idealizo a vida com simplicidade, igual comida de mãe. Simples como o trabalho físico que fadiga o corpo, mas alivia a alma.

Ergo os olhos. As árvores do Parque Areião estão com as folhas tristes como se fossem responsáveis por Goiânia, pelo mundo e pela derrota da seleção brasileira de futebol. Um vendedor de camisetas do Brasil, expostas num varal sem poesia, passa as mãos pesadas pela cabeça.

Doracino Naves é jornalista, diretor-apresentador do programa Raízes Jornalismo Cultural, na Fonte TV (www.raizestv.net)

Apito dos boiotas

Araguari, minha terra cravada no triângulo das Minas Gerais. Nasci numa casa de pau-a-pique no Porto dos Barreiros, uma vila de pescadores às margens do Rio Paranaíba. Augusta de Faro Fleury Curado, em seu livro Do Rio de Janeiro a Goiás assim descreve Porto dos Barreiros em 1889: "árvores de uma altura descomunal, à beira dos riachos, mil florinhas de cores vivas, o leito dos córregos cheios de pedrinhas alvas e tantas borboletas de lindas cores a esvoaçarem como ramalhetes alados". Pois é, do lado de Minas a gente via na outra margem do rio - lembrando Guimarães Rosa - o sertão, ou, mais fácil para nós, o cerrado goiano.

Minha família veio para Goiás em 1954. Eu tinha cinco anos de idade. A viagem de trem durou cerca de oito horas aos solavancos e ranger de trilhos. Descemos na estação de Pires do Rio e rumamos pra Palmelo na jardineira do seu Joviano Damásio. As duas cidades são vizinhas, pouco mais de uma légua de distância. Sou, desde então, goiano do pé rachado, mas, com espírito mineiro e esse jeitão da roça que me acompanha até hoje.

Seu Joviano era dono da única linha de ônibus Palmelo-Pires do Rio; também era o motorista e o cobrador. Quer dizer, a empresa de ônibus era só ele e a velha jardineira. Todos os dias ele fazia essa viagem. Saía cedo e voltava à noitinha, depois do último trem, inclusive aos domingos. Em Palmelo fiquei amigo do filho dele, Nelson, e, juntos, a gente pegava carona para passear em Pires do Rio. Enquanto a jardineira esperava íamos ao cinema. No Cine Eleusis foi onde vi meus primeiros filmes e conheci um pouco da cultura de outros países, para nós, da roça, só possível nos bons filmes.

Meu mundo de fantasia foi habitado por gente do cinema como John Wayne, Errol Flyn, Burt Lancaster, Charlston Heston, Yul Brynner, Alan Ladd e, principalmente, as festejadas estrelas do cinema:  Marilyn Monroe, Sofia Loren, Gina Lollobrígida, Ava Gardner e Elizabeth Taylor.

Os efeitos visuais, raros no início do cinema, já impressionavam pela realidade de algumas cenas. Num desses filmes americanos apareceu na tela um trem cuspindo fumaça pelas ventas. Começo pequeno e foi crescendo na tela. A câmera colocada debaixo do trem mostrava-o inteiro vindo na direção do público. Para mim parecia um rinoceronte furioso dos filmes de Tarzan. Aquilo me deixou assustado. Eu e o poeta Eurípedes Leôncio, hoje morando em Brasília, estávamos na primeira fila do cinema. Eu, apavorado com a aproximação do trem, falei baixo com ele:

-Esse trem vai passar em cima da gente. 

Olhei paro o Leôncio, na cadeira do lado. Seus olhos, vidrados na tela, pareciam bem maiores do que são. Quando o trem chegou perto mergulhamos imediatamente pra baixo das cadeiras.

O trem apressado passou com o som do apito nas alturas. E os dois boiotas escondidos debaixo das cadeiras. A câmera, parada, acompanhou a passagem do trem até ele sumir na tela. Ficamos ali, quietos, com cara de tacho. Eu, ingenuamente, perguntei:

- É só um filme, né?

- É...

Disse o Leôncio, refeito do susto.

Levantamos depressa e, desconfiados, nos sentamos novamente com receio da gozação. Saímos de fininho antes de terminar o filme. Alguém, esparramado na sua cadeira riu com sarcasmo  da nossa caipirice. Envergonhados, voltamos correndo para a jardineira e  ali ficamos até a volta pra Palmelo. Observei os passageiros do trem que vinha de Araguari entrando no ônibus. Voltou o filme do tempo. Aquela casinha de pau-a-pique de Porto dos Barreiros ficou perdida nos longos caminhos da lembrança.

Doracino Naves é jornalista, diretor-apresentador do programa Raízes Jornalismo Cultural, na Fonte TV (www.raizestv.net)

Tela branca

É desafiadora a tela branca do Word esperando um texto. Os dedos se preparam para escrever. O poeta Kleber Adorno, em um dos poemas do seu livro Sinfonia do Só, suaviza as funções das mãos: “São as extremidades ativas do corpo”.  Meus dedos inquietos  puxam a alma para o teclado inerte. Abro um caderno cheio de anotações. São fragmentos de fatos que acontecem na semana, as quais utilizo para escrever a crônica semanal. Sinto a mente cheia de ideias. Contudo, hoje, dormem nas linhas traçadas na página rota. 
                      
Olho as palavras escritas à mão. Elas continuam paradas pedindo para sair do escuro das notas feitas às pressas. No carro, no silêncio da madrugada insone, no ato da reflexão diária, numa palavra solta por alguém na rua, nas lembranças furtivas do passado, na leitura de um livro; uma música, um quadro. Minha lerdeza criativa espera sentir o sopro divino para escrever no vai-e-vem das emoções.
                     
O processo de criação é penoso quando as emoções não recebem o espírito criador. Sem essa chama somos incapazes de elaborar um pensamento elevado. E as palavras anotadas num momento de inspiração permanecem mortas. Às vezes uma ou outra salta do caderno. Até ele cria asas e fica a frente dos olhos cutucando a imaginação. Mas, elas precisam de uma liga espiritual para dar sentido ao texto.
                       
Escrever parece fácil, mas não é. Sabe por que parece fácil? Porque sempre a imaginação está nas nuvens, nunca ao alcance das mãos. E o nosso olhar se volta, quase sempre, para o outro, para o particular, o defeito humano e a incorrigível mania de patrulhar o comportamento alheio. Isso retarda a criação artística. Uma antropologia reversa. Quando olhamos na mesma direção, compreendendo os limites humanos, sublimamos os sentidos.
                        
Vixe! Estou indo por um caminho diferente do que costumo percorrer; falando de assuntos filosóficos. Prefiro a amenidade dos bons cronistas e poetas. Tanto falo, tanto escrevo que imagino que, mesmo sem querer, machuco alguém. Outro dia, um leitor me disse que minhas palavras escritas aqui no DM o ajudou a sonhar um pouco com uma fase da sua vida em que morava no Bairro Popular. Menos mal que seja assim.
                          
E o olhar insone da torre do relógio da estação continua olhando o passo de quem está no Bairro Popular. Agora, a tela branca do computador me olha perguntando qual a razão da imprecisão das palavras impressas pelos dedos. Voam para dentro do intrigante computador que as devolve escritas numa sequência que parece redonda.
                          
 Chego à janela, atraído por um chamado para ver se o mundo continua redondo. Prédios e árvores são obstáculos para eu ver além dos  limites dos olhos. Os dedos param de escrever. Encerro essa crônica com a sensação de que poderia fazer melhor. Fica a promessa para a próxima semana. Mas, meus cabelos balançam no vazio entre a cadeira e a desafiante tela branca.
                             
Doracino Naves, jornalista, diretor-apresentador do programa Raízes Jornalismo Cultural, na Fonte TV (http://www.raizestv.net/)
                             
                                                                                                                                                                                                                                                            
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 | By: Doracino Naves

Canário vesgo

     Na minha frente tem um quadro com mãos agigantadas; uma luz  fantástica e sutil iluminam as mãos suspensas com fios de prata presas no céu.

        Oh,benditas mãos! Mãos da da parteira que me tiraram do ventre da minha mãe. Mãos que hão de jogar a última porção de terra sobre o meu corpo. As de Cristo me abençoam  purificando as intenções da minha alma.

       Interessante como alguns  pintores retratam a  harmonia entre o rosto e as mãos de Jesus. Os gestos das mãos ficam sincronizados com a expressão do rosto.

       Gumercindo Tavares, personagem do monólogo de Pedro Bloch, fala das Mãos de Eurídice: Mãos brancas, mãos doces, mãos delicadas, mão pedindo preces, mão pedindo harpas. As mãos de Eurídice riam, às vezes ficavam furiosas. Choravam. Juntavam-se em súplica. Projetavam-se em desespero. Pediam asas, ternura e amor.

       Assim são as mãos no meu imaginário: pura expressão de sentimentos. Muitas vezes, porém, desconectadas do verbo, da expressão do rosto; uma desarmonia inominável.  Podemos perceber que as mãos postas no colo da Monalisa são tão serenas e enigmáticas como o rosto de La Gioconda. Lembro-me, ao dedilhar essa crônica, de um retrato da minha avó esquecido na parede da sala de visitas da casa dos meus pais. Suas mãos enrugadas; parecem trêmulas. Mas eram macias ao acariciar o meu rosto; emocionadas, mexiam meus cabelos com a ternura de um anjo. Aconselhava com carinho.

        Falava que eu deveria ser forte para suportar a vida. Ser forte como a mangueira do quintal. O córrego Botafogo, em Goiânia, criou debaixo de si, um leito de concreto para amaciar os coices do percurso. Não sei se cumpro o desejo da minha avó; às vezes fraquejo no viver. Entretanto, os gestos das suas mãos ainda me mostram os caminhos aonde devo ir. Sigo lembrando-me dos seus olhos pequenos, das suas ternas mãos. Um dia  ela me mostrou um canário vesgo acostumado ao quintal da casa. Disse qualquer coisa sobre o estrabismo do canário, mas ponderou que ele tinha o canto mais afinado da terra.

           A impressão que ainda guardo na lembrança é a imagem dos gestos das mãos da minha avó abrindo uma clareira nos meus sentidos. Os olhinhos do canário seguiam atentos às suas mãos que irradiavam uma cândida luz.
          Piedade!

         É lua cheia. O bosque do Parque Areião cresce debaixo do céu cinzento das chuvas. As mãos do quadro à minha frente dizem coisas insólitas.

Doracino Naves é jornalista, diretor-apresentador do programa Raízes Jornalismo Cultural, na PUC TV
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 | By: Doracino Naves

Jornalista tardio

 
      Se eu não fosse jornalista seria músico. Mas sou um tocador de cavaquinho frustrado que não aprendeu extrair dele uma nota sequer. Aliás, essa é a frustração da minha infância que foi como disse Millôr Fernandes: "Dura! Dura! Linda! Linda!". O caso do cavaquinho aconteceu assim: Meu pai, Zequinha Naves, antes de ser Coletor Estadual fora, junto com meu tio Dedé - Ezequiel Naves de Almeida - donos de cartório em Palmelo. Era um cartório de cidade pobre do interior, ali pelos idos de 1955. Portanto, cartório dava pouco dinheiro e havia pouca grana para manter os filhos.
            Querendo melhorar a renda meu pai se preparou para ser Coletor Estadual. Quando foi empossado tirou parte do seu primeiro salário para comprar um cavaquinho lindo. Este foi o primeiro presente que ganhei do meu pai. Ficou marcado pela minha falta de jeito com o instrumento.  Sou analfabeto musical; não tenho nenhum talento para a música.

           Palmelo, naqueles tempos de Jerônimo Candinho, era praticamente rural. Acho que até hoje é assim. Aprendi a nadar no Córrego Caiapó, cheio de cintilantes peixinhos miúdos com pequenas pedras coloridas no leito das águas claras da primavera. Vida de criança do interior e cheia de folguedos. Atirei pedras com estilingue nas mangueiras do vizinho. Jogava futebol num campo de terra batida onde ralava meus joelhos no chão duro. Amei, no fundo do quintal, escondido entre as bananeiras,  as meninas vestidas com macios panos de  chita. Essa fase de moleza durou até aos dez anos. Aí, num dia qualquer de 1959, a família se mudou, de mala e cuia, para Goiânia.

          Tempos depois, após 25 anos num escritório de contabilidade, entrei na Universidade Católica para cursar jornalismo. Isto foi em 2004. Por essa causa sou um jornalista tardio. Continuo um animado aprendiz de jornalismo. Tento me renovar sempre no gosto pelas formas com nova visão dos fatos.

         O jornalismo opinativo tem o seu valor pela experiência de quem escreve. Mas nada melhor do que uma boa reportagem. Daquelas em que o repórter sofre para apurar os fatos e, depois, satisfeito com o final do trabalho, dá a notícia como se houvera fisgado um peixe grande. A realização do jornalista pode vir num texto romanceado, na voz alegre de quem anuncia o fim de uma Guerra Mundial ou na expressão serena de um repórter diante das câmeras anunciando o fim de um sequestro. Acho que essa minha paixão pelo jornalismo vem da época do Repórter Esso.
         Pôxa, ao me lembrar dessas coisas antigas me vem a sensação de que já descambo pelo outro lado do morro.                          
        E a alma da gente vai ficando por aí, perdida nas metades do outro. A gente deve ser assim, rasa e intensa como é o leito de um riacho descendo a ladeira.
        Pois é. Turvar a água do córrego não significa que elas fiquem profundas.
         
       
Doracino Naves, jornalista; diretor e apresentador do programa Raízes Jornalismo Cultural, www.raizestv.net, PUC TV, sábado, 12h30. Escreve aos sábados no DMRevista.